A área de inteligência de mercado, veio dos governos, do Estado. No
Brasil temos a ABIN. Nos EUA a CIA. No
Reino Unido a MI5. Na Russia KGB e por aí vai... Surgiu na guerra para fornecer
dados para os exércitos melhor se desenvolverem nocampo de batalha. Pode-se
afirmar que a IM é oriunda da espionagem de guerra.
No mundo
corporativo, em que se pressupõem certa honestidade das empresas, a espionagem
empresarial é proibida. Diversas leis em diversos países tratam do assunto. No
Brasil, as leis ainda são incipientes, porém nos EUA já existe uma legislatura
bem desenvolvida punindo essa espionagem.
No Brasil temos o
código de ética da ABRAIC
(Associação Brasileira dos
Analistas de Inteligência competitiva)
para o exercício do profissional de inteligência competitiva, que fala
em exercer a profissão com zelo,
diligência e honestidade; manter o sigilo no que souber e evitar
envolver-se em conflito de interesses. Também fala sobre os deveres: estar
dentro da lei no sentido de não cometer espionagem econômica nem comercial,
roubo de segredos comerciais, suborno, invasão de privacidade, etc...
A legislação brasileira sobre o assunto ainda é pouca? Sim. Por isso
é sempre necessário sempre o uso do bom senso na hora da coleta de informações
de IM. Uma pergunta que ajuda sempre é pensar: isso é publicável. Ou seja, tais
dados estão sendo coletados de forma ética? Esses dados monitorados da
concorrência são segredos de empresa?
A ética é pressuposto de todas as coisas. Não se deve obter sucesso
a qualquer custo. A ética é o pilar que
sustenta a área da IM, ela conduz a boas práticas. Seu profissional deve ter
clareza disso, e se a lei ainda não há, fazer através dos costumes suporte para
elas. Porque de mau exemplo já chega os políticos com suas práticas.
Caro Moura,
ResponderExcluirConcordo com o que escreveu, mas me parece um tanto quanto teórico. Ética é uma palavra linda que está na boca de todos, no entanto a realidade é bem diferente. Muitas empresas de pesquisa e inteligência de mercado, até aquelas que colocam a ética no crachá dos funcionários, se rendem em última instância ao Dinheiro (note é Dinheiro e não dinheiro). Pelas minhas experiências de trabalho no ramo, vejo que falta transparência e accountability ao processo de pesquisa e inteligência. Falo de processo como um todo: desde a relação estabelecida com o cliente até a entrega do relatório final. Infelizmente quando se trata da guerra pelo Dinheiro é muito difícil evitar o "jogo sujo" e a desonestidade. Pensava ingenuinamente que surveys e pesquisas fraudadas eram lendas. Não demorou muito para perceber o contrário. Fraude é rotina e sinônimo de custo baixo e lucro alto. E por que isso acontece tantas vezes? Porque não há um controle adequado da qualidade dos dados coletados, dos questionários criados e, sobretudo, de mecanismos de checagem e punição. Sem essas ferramentas continuaremos reféns de institutos "Demóstenes" que parecem éticos por fora, mas podres por dentro.
Um forte abraço e vamso nos falando,
Eric
Olá Eric,
ExcluirEu trabalho em marketing e sofro bastante esse 'karma' do passado. Históricamente, o marketing em geral (análogamente à area de Inteligência de Mercado) tem feito prácticas deshonestas só visando o lucro.
Mas acredito que isso no presente esteja mudando: Hoje a honestidade é uma vantágem competitiva. Acho que a Responsabilidade Social da empresa (que provávelmente nasceu como uma estratégia de marketing) hoje esteja mais interiorizada na cultura corporativa das companhías líderes do mercado.
O melhor exempo é a Google... Um dos lemas não oficiais da companhia é 'do no harm'. É uma empresa que se caracterizou e cresceu por gerar prácticas transparentes de negócios.
E mesmo quando a intenção das Empresas não seja bõa, acredito que cada vez temos melhores leis para regulamentar estas ações. Muitas companhias tem enfrentado processos multi-milhonários por espionágem industrial. Por que riscar a imágem da empresa quando temos tantas boas ferramentas para analisar a realidade do mercado sem cruçar a línha da ilegalidade?
Ruth
Acredito que existe sim muita corrupção, desonestidade e anti ética, não só na esfera de pesquisa, mas também no mundo corporativo, como também na sociedade brasileira e no mundo onde muito dinheiro distorce as coisas.Porém, sou contra legislações pesadas, que geram burocracias burras e a nova onda de 'responsabilidade social', nova moda nas empresa. Apesar de Voltaire ter falado: 'anti-ético é tudo aquilo que os outros não querem que você faça', acredito que a ética é um valor, que deve ser estudado e ao máximo ser aplicado. Afinal, o ser humano precisa ter um código conduta, até mesmo para viver socialmente... Obrigado pelas contribuições Éric e Ruth
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